CAPITULO: Trabalho e Economia

Pontos: 3

Atenção: Este capítulo está sendo escrito num texto colaborativo. Se você quiser discutir o tema geral ao invés de contribuir diretamente ao texto, use os comentários abaixo.

Pessoal, reuni abaixo um conjunto de inquietações pessoais sobre o Tema: Trabalho e Economia tendo como guarda chuva a questão da Tomada de Decisão Coletiva, que vem sendo a premissa até então: Seja ela pra criação de qualquer tipo de projeto ou laboratório vivo.

Dentro deste cenário seguem algumas questões e horizontes que gostaria de tentar organizar em um capitulo do nosso livro. Conto com a colaborAÇÃO de quem se interessa também por esta temática.

Questões Motivadoras

  • Trabalho = Sustentabilidade = Economia ?
  • Sustentabilidade é apenas financeira?
  • Economia se resume a dinheiro?
  • Existe tomada de decisão coletiva na Economia Global? Quem faz parte deste coletivo?
  • Existe neste planeta, algum sistema financeiro solidário?
  • O que é são Bancos Comunitários? Todos funcionam da mesma forma? O que é um banco de tempo? O que é conversibilidade com a moeda real e quais os impactos desta decisão econômica?
  • Como seria analisar as oportunidades atuais de trabalho quando a tomada de decisão coletiva é uma premissa do trabalhador?
  • O que é ser empregado? O que é empreender?
  • Quais as principais diferenças entre um trabalhador empregado e um trabalhador empreendedor no que tange a processos de tomada de decisão?

Experiências de Trabalho e Economia onde a Tomada de Decisão Coletiva é uma Premissa:

Economia Solidária

  • Cooperativas
  • Bancos Comunitários
  • Coletivos de Consumo
  • Arranjos Produtivos Locais

Setor Cultural (Economia Criativa)

  • Produtoras Colaborativas (Colabor [at] tiva [dot] PE, Universidade Livre de Teatro Vila Velha)
  • Cineclubes (Tear Audiovisual)

Técnicas de Gestão

  • Reuniões Coletivas de Planejamento e Avaliação
  • Divisão de Tarefas e organização de células focalizadoras
  • Reuniões das células focalizadoras e execução das atividades planejadas

Impacto do acesso a ferramentas de tecnologia da informação em processos de gestão coletivos

  • Reuniões Virtuais,
  • Calendários Coletivos,
  • Sistemas de votação
  • Divisão de tarefas
  • Automação de Formulários
  • Consolidação de respostas

Custo destas tecnlogias e a pirataria de software

  • Preço do software proprietário e politicas de atualização inviabilizam o acesso legal dos pequenos empeendimentos
  • Combate a pirataria de software X politicas de inclusão digital e formação profissional
  • O que é Software Livre?
  • Empreender com Software Livre: Utopia x Realidade
  • Empreender legalmente utilizando tecnologias de informação livres para gestão colaborativa é possível?

Plataforma CORAIS para gestão colaborativa de empreendimentos criativos

  • Reuniões Coletivas / Planejamento / Avaliação (Chat, Calendário, Questionário, Blog)
  • Organização de Base de Dados Coletiva (Galeria de Imagens, Planilha, Texto Colaborativo, Blog, Arquivos, Taxionomia)
  • Espaço para proposição de novas iniciativas (Sugestões)
  • Tomada de Decisão Coletiva (Chat, Comentários e Votações)
  • Administrativo (Questionários, Planilhas, Moeda Social)
  • Comunicação Interna (Chat, Alertas por email, Painel)
  • Divisão de Tarefas (Etapas, Tarefas, Votação)

Tecnologia Social das Produtoras Culturais Colaborativas

  • Conceitos e Características
  • Estrutura e Funcionamento
  • Metodologias de Organização:
    • Mapa Vocacional do Grupo
    • Inventário de Equipamentos e Espaços Físicos
    • Mapeamento Cultural do Território
    • Organização do Cardápio de Produtos e Serviços
    • Cálculo do Preço Aberto da Oferta
    • Mapeamento de DEMANDAS coletivas e individuais
    • Organização de TABELA de DEMANDAS
    • Oferta local de produtos, serviços e saberes

Gestão Colaborativa de Créditos Solidários Digitais

  • Vida sem dinheiro
  • Dinheiro como balizador de trocas
  • Cartão de Crédito e o Dinheiro Digital
  • Sigilo Bancário e Segurança
  • Sistema Financeiro e Credibilidade
  • Moedas Sociais Digitais e Gestão Colaborativa
    • Criando um cadastro de banco comunitário no CORAIS
    • Configurando um cadastro de moeda social
    • Confirgurando uma conta banco
    • Mapa das Demandas Locais
    • Mapa das  Ofertas Locais
    • Circuitos econômicos e possibilidades de escambo e colaboração
    • Relação da Moeda e do Lastro Financeiro
    • Calculando o lastro coletivo
    • Valorando produtos, serviços e saberes em moeda social
    • Criando contas para novos participantes
    • Transações financeiras: Pagamentos, Doações e Débito Automático
    • Transparência de Saldo e Extrato Individual = Auditoria Coletiva
    • Definindo coletivamente valores limites de acumulação e endividamento em moeda social e politicas adotadas nestes casos
    • crédito solidário e o enraizamento do crédito solidário no território
    • gestão coletiva de fraudes e erros bancários

Comentários

#5

Recomendo a leitura do livro, Sua Vida é uma Porcaria e a Culpa é Minha, vol 1, de Juliano Moreira. Ele aborda superficialmente Trabalho, Economia e Sustentabilidade, citando também algumas passagens do livro, As Conexões Ocultas, de Fritjof Capra. reproduzo alguns trechos mas estimulo a leitura do livro em anexo para compreenção da condução de raciocinio do autor.

sustentábilidade
“que se pode defender, que tem condições para se manter ou conservar”
trecho da definição.

“não herdamos o mundo de nossos pais, o pegamos emprestado de nossos filhos.”
Pensamento popular.

#
“sociedade sustentável [...] é capaz de satisfazer suas
necessidades sem comprometer as chances de sobrevivência das gerações futuras.”

#
“Entretanto, essa definição nada tem a nos dizer sobre como construir uma
sociedade sustentável. É por isso que, mesmo dentro do movimento ambientalista, tem
havido muita confusão sobre o sentido dessa ‘sustentabilidade’.”

#
“não é um estado estático, mas um processo dinâmico de coevolução.”

#
“Princípios de organização, comuns a todos sistemas vivos, que os ecossistemas
desenvolveram para sustentar a teia da vida. [...] Os sistemas vivos são redes
autogeradoras, fechadas dentro de certos limites no que diz respeito à sua
organização, mas abertas a um fluxo contínuo de energia e matéria.”

As Conexões Ocultas, Fritjof Capra.

"sustentabilidade é a capacidade de satisfazer as necessidades de todos os organismos sem comprometer o funcionamento do meio em que se encontram. Ou seja, a satisfação de todos deve ser atendida sem prejudicar nenhuma fonte de recurso. E essa perspectiva precisa levar em conta e garantir a mesma condição para todos aqueles que ainda virão a necessitar dos mesmos recursos."

Sua vida é uma porcaria e a culpa é minha, Juliano Moreira.


O livro menciona o equilibrio dinamico e batiza como Triplice Fundamental a relação simbiotica entre, sustentábilidade, recursos e abundãncia.

Em relação a trabalho e economia, de uma forma livre sem referencia técnica, nos faz refletir sobre os trabalhos estressantes, repetitivos, penosos, desnecessário e automatizaveis, pois, no que tanje economia, a função do trabalho é promover creditos para o individuo se relacionar com consumo de bens e serviços, estes incluem também, os de ordem biológica fundamental. quando os mecanismos de suporte a vida estão intermediados, privados ou artificialmente escassos, a falta ou insuficiencia de creditos ameaçam a propria vida, mesmo que bem vista pelo sistema economico. observando-se pela otica natural não existe nada de errado em se "lutar" pela sobrevivencia, no entanto, pela nossa ótica racional e de atual capacidade tecnologica, entender e compensar eficientemente o suporte a vida humana se alinhando com processos naturais, promove menos trabalho, em consequencia prejudica a economia no atual paradigma, ja que temos mais consumo com menos movimentação de moeda.  é bom observar que extinguir postos de trabalho, pela simples modelagem comportamental e cultural, reavalição de processos e alinhamento natural, por automatização, etc, promove menos remuneração, nos impelindo a preocupação de realocação e capacitação para outras funções ou ate mesmo a simples capacidade de gestão de pessoas envolvendo menos tempo de trabalho, ou trabalho nenhum (viramos testadores e melhoradores rumo a flexibilidade ou a um ideal). uma função onde 10 trabalhavam 8h/dia agora pode ser feita por 20 4h/dia... como dar um suporte igual a mais pessoas referenciando valores de consumo sem aumentar a quantidade de moeda em circulação necessariamente? baixando preços de coisas? como fazer preços tenderem a zero (o que seria considerado um declinio economico)!? como dar suporte a um mundo onde o paradigma de trabalho mude radicalmente?!?! portanto alguns trabalhos, de cunho intelectual cientifico, podem, de forma sistemática eliminar funções, dando suporte a necessidades. mas como, mediante a eliminação da função, ainda manter, o acesso as necessidades intermediadas pelos creditos gerados por este trabalho?

sobre tomadas de decisões, não sei se estamos analizando um quadro atual, mas se for um projetado, qualquer sistema de informação que permita analise semantica pode, retornar resultados que dirijam decisões para um caminho de atendimento de interesses coletivos, generalistas até o nivel pessoal, analizando dinamicamente a capacidade da rede de atender a demanda ou não, retornando alertas e dados da nossa real capacidade de suporte aos nossos interesses.

algumas refelxões para nortear os trabalhos. bem bagunçadas, mas são reflexões.
ps. não sei se posso anexar esse material legalmente no post. excluam caso infrinja alguma lei. caso não exista problemas, tenho os outros 5 livros que posso enviar!

#1

É importante fazer essa reflexão sobre a relação entre economia e trabalho, mas acho que vai ficar mais acessível se pensarmos como se manifesta no contexto da organização de projetos. Se a gente for mapear a macro-economia acho que vamos nos perder. Melhor focar no que a gente pode fazer aqui e agora a respeito, ou seja, a micro-economia.

Quais são os impactos práticos de uma economia baseada no trabalho competitivo?

  • O trabalhador se torna uma mercadoria
  • O trabalhador compete com outros por uma posição
  • As posições são escassas
  • O dinheiro é mínimo-denominador comum

Quais são os impactos práticos de uma economia baseada no trabalho colaborativo?

  • O trabalhador é livre
  • O trabalhador depende de redes de colaboração
  • As oportunidades são diversas
  • O tempo e a atenção é escassa
  • Surgem outras formas de retorno

Acredito que os estudos de economia de oferta (gift economy) podem ser um bom balisador para esse capítulo.

A economia de oferta é uma forma econômica baseada sobre o valor de uso dos objetos ou ações. Contrapõe-se portanto à economia de mercado, que se baseia no valor de troca de bens e serviços. Wikipedia

Talvez um bom foco pra esse capítulo seja pensar essa economia de oferta como balisadora de uma economia criativa.

Jatobá postou várias coisas interessantes que provavelmente valeria à pena detalhar em capítulos próprios, por exemplo Técnicas de gestão colaborativa, Produtora Cultural Colaborativa, etc. Mas isso com o tempo a gente vai organizando.

#2

Vejo também que os impactos práticos de uma economia baseada no trabalho colaborativo é, assim como na economia solidária, a valorização do trabalho e não do capital. É a valorização de uma forma de organização da produção que não é baseada na exploração do trabalhador pelo capital, mas tem o trabalho e a vida do trabalhador como centro, como prioridade.

A economia movimentada pelo trabalho colaborativo é similar à economia solidária?

Acredito que todo trabalho gerado na economia solidária é colaborativo, mas nem todo trabalho colaborativo insere-se dentro dos princípios da economia solidária. Pensemos na autogestão, que tem a tomada de decisões coletivas como premissa. Será que todo trabalho colaborativo parte disso? Adoraria pensar que sim, mas temo que na sociedade da informação em que vivemos, onde a dinãmica colaborativa permeia e movimenta o próprio capitalismo, corremos o risco de misturar alhos com bugalhos se não especificarmos bem o que queremos dizer por trabalho colaborativo....

Hoje o capitalismo usa o trabalho colaborativo para explorar os trabalhadores. Atualmente, ser um colaborador de uma empresa muitas vezes é ser um trabalhador precarizado, que vende sua força de trabalho como outra mercadoria, mas que pode trabalhar em casa, tem mais flexibilidade de horários e uma certa sensação de liberdade e autonomia que muitas vezes oculta os direitos perdidos, os riscos e inseguranças decorrentes disso: a previdência indo pro ralo... A cessão dos direitos autorais à empresa e a incerteza da continuidade do trabalho no próximo mês...

Então, o que distingue o trabalho colaborativo que identifica-se com a economia solidária desse trabalho colaborativo que serve às grandes corporações?

Será que a tomada de decisão coletiva é um desses diferenciais? Quero pensar que sim! Mas é importante, então, qualificarmos melhor o que queremos dizer por tomada de decisão coletiva; quantas pessoas participando da tomada de decisão a torna coletiva? Arrisco em dizer que é o conjunto das pessoas envolvidas com o empreendimento, ação, projeto ou iniciativa o que torna esse processo legítimamente coletivo.

Se o coletivo que toma decisão possui hierarquias e poderes diferenciados entre seus integrantes, a tomada de decisão -mesmo envolvendo todas as pessoas do grupo/ação-, é coletiva? Acredito que contextos assimétricos, desiguais e hierarquizados minam e corrompem a base de qualquer tomada de decisão coletiva. Para que a tomada de decisões seja efetivamente coletiva, é preciso reunir o conjunto das pessoas envolvidas e afetadas pela questão de forma simétrica e com igualdade de condições.

#3

Essas distinções são bem importantes Luana, porém, acredito que o livro não deve se restringir a um tipo específico de trabalho colaborativo, como o praticado na economia solidária, mas também o praticado dentro das corporações capitalistas. 

Mesmo que seja uma colaboração misturada com exploração, já é uma mudança da forma como se trabalhava anteriormente. E abre uma brecha para a gente trazer outros pontos importantes, porém, tem que ser de forma gradual. Não dá pra entrar de sola, desqualificando a tentativa do empresariado em abrir os processos de inovação. O que acho interessante é preparar o trabalhador para tirar o melhor proveito dessa flexibilidade, para se tornar mais autônomo, mais auto-gestionado, mais participante, mais empreendedor, etc.

Nesse livro precisamos ir além da crítica costumaz que faz a academia (eu incluso).

#4

Mantida esta estrutura proposta por Jatobá, creio que posso colaborar bastante com os tópicos: Questões Motivadoras e Plataforma CORAIS para gestão colaborativa de empreendimentos criativos.

E dar alguns pitacos nos outros tb.

Léo, coloca aí os outros anexos, por favor!

#6

Mesmo que seja uma colaboração misturada com exploração, já é uma mudança da forma como se trabalhava anteriormente. E abre uma brecha para a gente trazer outros pontos importantes, porém, tem que ser de forma gradual. Não dá pra entrar de sola, desqualificando a tentativa do empresariado em abrir os processos de inovação. O que acho interessante é preparar o trabalhador para tirar o melhor proveito dessa flexibilidade, para se tornar mais autônomo, mais auto-gestionado, mais participante, mais empreendedor, etc.

Penso que esse é um ponto bastante arriscado e que não devemos subestimar um sistema que tem um grande poder de mutação e de apropriação de novas relações. É preciso ter bastante cuidado.

#7

Bem interessante a construção inicial desta discussão feita pelo Jatoba. Este capítulo foi o que despertou meu interesse pelo livro!

Sobre o que abordar no capítulo, acredito que ele possa iniciar com conceitos gerais de economia e colaboração, e depois seguir para uma visão mais acessível de microeconomia que seja mais palpável, conforme comentou o Fred #1, é o que "a gente pode fazer aqui e agora a respeito".

Percebo que o conceito de sustentabilidade citado por Guedes #5 é o que conclui esta ideia e nos leva para o nosso objetivo: mudança de uma visão apenas individual para uma visão colaborativa na construção de novos significados. O que nos motiva - falando de economia dentro de uma abordagem colaborativa - é justamente a criação de uma sociedade economicamente mais justa, saudável e sustentável.

A indagação da Luana #2 sobre a proximidade da economia solidária com o trabalho colaborativo me pareceu bem útil para levar alguns princípios colaborativos para corporações capitalistas. Complemento com outras questões: O que a comunidade ganha com um modelo colaborativo de produção? Qual a contribuição disso na vida do trabalhador? Quais os limites entre consumidor, produtor e colaborador? Por que corporações adotariam estes modelos? Como projetos colaborativos podem estimular e ajudar novos empreendedores?

Tenho algumas sugestões de tópicos nesta linha:

  • Como processos colaborativos ajudam a identificar e lidar com a demanda de novos serviços e produtos
  • O impacto da cocriação na produtividade de uma organização
  • Como se dá a percepção e criação de valor pelo consumidor (também produtor) em produtos/serviços colaborativos
  • Forças competitivas em mercados colaborativos

O que acham?

#8

Tenho acompanhado a distância as discussões e sinto muito se não consegui contribuir anteriormente, mas os questionamentos levantados pela Karla me incetivaram a dar meus 2 centavos :)

Pegando o ponto organizacional/burocratico levantado pela Karla sobre os processos e percepções de valor de uma atividade colaborativa, acredito também que poderíamos abordar algumas questões negativas, porém naturais deste processo. Tais como:

  • A falta de liderança e uma eventual falta de foco
  • A frustração e/ou desmotivação causada pela falta de foco/líder
  • Tomada de decisões em questões em que o grupo se divide. De quem é a palavra final?
  • Comprometimento, envolvimento e a divisão de responsabilidades

#9

Karla, eu coloquei suas questões sobre economia colaborativa já direto no texto sobre trabalho colaborativo e economia. Acho bem importante desenvolver essas questões, pois o assunto é praticamente inexplorado.

Seus tópicos sobre co-criação, eu coloquei no texto co-criação e criatividade.

Bruno, seus tópicos eu coloquei dentro do capítulo de tomada de decisão colaborativa, na parte sobre liderança. Fique à vontade para desenvolvê-las!